O UNIVERSO MÁGICO DE DALÍ

8.9.14 Simone Galib 1 Comments


 
A tela Máxima Velocidade da Madona de Rafael, 1954

  Mergulhe em um universo onírico, simbólico e cheio de fantasias. Onde? Vem aí uma super mostra do grande mestre do surrealismo, que promete fazer sucesso na temporada de artes plásticas de São Paulo. O Instituto Tomie Ohtake traz para a sua sede, em outubro, a maior retrospectiva do pintor Salvador Dalí (1904-1989) já realizada no país. Além dos trabalhos já expostos no Rio, a exposição paulista terá cinco novas obras que vieram da Fundação Gala-Salvador Dalí e mais duas do Museu Reina Sofia, que detêm 90% dos trabalhos expostos.

O público poderá ver o valioso e pequeno óleo sobre madeira, batizado de O espectro do sex-appeal (1934). Ele tem o tamanho de meia folha de papel, atribui-se à pequena pintura a forma como Dalí plasmou, de modo concreto, o temor pela sexualidade. Há ainda Desnudo (1924), que pertenceu a Federico García Lorca, Homem com a cabeça cheia de nuvens (1936), com referência explícita a René Magritte e O piano surrealista (1937), fruto de sua colaboração com os Irmãos Marx.
 
O mestre do surrealismo Salvador Dalí, Paris            Associated Press
A retrospectiva de Dalí, com curadoria de Montse Aguer, diretora do Centro de Estudos Dalinianos da Fundação Gala-Dalí, vem com 24 pinturas, 135 trabalhos, entre desenhos e gravuras, 40 documentos, 15 fotografias e quatro filmes. O espectador terá contato com a produção de Dalí desde os anos 1920 até seus últimos trabalhos. O conjunto da obra traz uma clara percepção da evolução do trabalho de Dalí, não só técnica, mas também de suas influências, recursos temáticos, referências ideológicas e muitos simbolismos.

Figuras deitadas na areia, 1926
Poderão ser vistas, por exemplo as telas do período de sua formação como pintor - como Retrato de meu pai e Casa de Es Llaner, de 1920; Retrato de minha irmã, de 1925, e Autorretrato cubista, de 1926. Essas pinturas, além de marcarem o início da pesquisa de Dalí, também, revelam a instigante produção de retratos, que, em suas diferentes interpretações e abordagens, acompanham a metamorfose de um trabalho marcado pelo questionamento sobre a realidade.

 A fase surrealista, que deu fama mundial ao artista catalão, será
retratada em telas que apresentam seu método paranóico-crítico de representação, com obras muito significativas, como O Sentimento de Velocidade (1931), Monumento imperial à mulher-menina (1929), Figura e drapeado em uma paisagem (1935) e Paisagem pagã média (1937).

O mundo de Dalí: composição surrealista, com figuras oníricas

DALÍ NO CINEMA

Mas, tem também cinema. Os filmes O cão andaluz (1929) e A idade do ouro (1930), codirigidos por Salvador Dalí e Luís Buñel, e Quando fala o coração (1945), de Alfred Hitchcock, cujas cenas do sonho foram desenhadas pelo artista serão exibidos. Além disso, duas mostras acontecem em paralelo à exposição: a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro, que exibirá os filmes O cão andaluz (1929) e A idade do ouro (1930), em suas versões integrais. O Museu da Imagem e do Som (MIS) organizará a mostra Surrealismo no Cinema, entre os dias 16 e 21 de dezembro.


SURREALISMO NA LITERATURA

O acervo traz ainda documentos e livros da biblioteca particular de Dalí, que dialogam com as pinturas. É o caso dos títulos Imaculada Conceição (1930), de André Breton e Paul Eluard, e Onan (1934), de Georges Hugnet. E mais: há ilustrações feitas para os clássicos da literatura mundial, como Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol. Merecem ainda destaque os desenhos que ilustram o livro Cantos de Maldoror (1869), de Isidore Lucien Ducasse (mais conhecido como Conde de Lautréamont), autor de grande referência entre os jovens surrealistas. É possível reconhecer nesses desenhos, por exemplo, as muitas figuras recorrentes na obra de Dalí, como objetos cortantes, muletas, corpos mutilados etc. Eliane Robert Moraes, em texto que acompanha o catálogo da exposição, diz que, movidos por uma crescente revolta pós-guerra, esses artistas “viram na violência poética de Ducasse uma alternativa para seus dilemas estéticos e existenciais”. E acrescenta: “Queremos mostrar o Dalí surrealista, mas também aquele que se antecipa ao seu tempo, que é audacioso, que defende a liberdade de imaginação do artista em sua própria criação. 

Para trazer o acervo ao Brasil, o Instituto Tomie Ohtake participou de uma longa negociação com os museus envolvidos. “Foram cinco anos de muitas tentativas e conversas com os detentores das grandes coleções de Dalí, para se concretizar as exposições do artista no Brasil, pela primeira vez com pinturas, e com maior concentração na fase surrealista”, diz Ricardo Ohtake, presidente da instituição.

Nã dá para perder! E ainda por cima a entrada é franca!



Instituto Tomie Ohtake
Exposição: Salvador Dalí
De 19 de outubro a 11 de janeiro de 2015
de terça a domingo, das 11h às 20h
Av. Faria Lima 201  tel. 11 2245 1900

Entrada franca 

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