JOVENS DA AUSTRÁLIA TROCAM BARES PELO TINDER

21.8.15 Simone Galib 0 Comments

 Melbourne, onde os jovens preferem o namoro virtual em vez de ir a bares ou pubs



   Não são apenas os pais de adolescentes e jovens, namoradas (os), esposas e maridos que se preocupam hoje com os aplicativos de namoros pela internet, que já estão sendo responsabilizados por acabarem com o clima de romance e até mesmo com muitos casamentos. Agora, uma nova categoria engrossa a lista de reclamações.  

 Donos de bares, clubs e pubs de Melbourne, uma das mais bonitas e multiculturais cidades da Austrália, reclamam que os jovens deixaram de frequentar seus estabelecimentos porque só usam o Tinder, inclusive no trabalho. "O aplicativo está matando os pubs e clubs em Melbourne e em toda a Austrália", postou em sua página do Facebook Mind Blowm, proprietário do Cherry Bar, em Melbourne.




"Nós precisamos tirar os jovens de seus telefones e trazê-los de volta aos bares, caso contrário iremos fechar nossos negócios", desabafou Blowm.

 Para completar, acrescentou ele, "quando marcam encontros fora do universo virtual, optam por jantares em restaurantes caros para impressionar a mulher (ou o homem) em vez de irem a um lugar com música ao vivo. É uma situação muito difícil", disse.


OUTRAS POLÊMICAS


As reclamações contra o aplicativo (best seller entre os jovens) não param por aí. Na semana passada, a revista americana Vanity Fair afirmou que o Tinder é o apocalipse do namoro. "À medida que as calotas polares derretem e a Terra caminha para a sua sexta extinção, outro fenômeno sem precedentes está ocorrendo no reino do sexo", disse a Vanity Fair. Segundo a revista, "os aplicativos de namoro agem como um meteoro rebelde nos rituais, agora dinossáuricos, como os de noivado e namoro."





 O TINDER NÃO É O ÚNICO 

  A análise da publicação, que provocou polêmica nos Estados Unidos, além de muito barulho em mídias sociais, como o Twitter, não me parece exagerada. É uma situação real, que acontece no mundo inteiro, hoje totalmente conectado. E o Tinder, apesar de ser o mais bem cotado, não pode ser considerado o único vilão nessa história. 

 Os aplicativos e sites de namoro, com raras exceções, banalizaram os relacionamentos, o diálogo entre as pessoas, a forma de tratamento (hoje muito vulgar), o respeito entre os casais (grande parte dos homens e mulheres nesses sites é casada), de praticamente todas as faixas etárias, gênero, credo ou cor. Muitos homens tornaram-se tão viciados na internet, que não sabem mais como abordar, tocar ou manter um diálogo inteligente com uma mulher na vida real. No mundo virtual, parece ser tudo mais simples e sem compromisso. 


  Sem contar que esses sites e apps funcionam como uma vitrine do sexo, 24 horas online, e acessível a qualquer um, inclusive a crianças e adolescentes, que criam perfis falsos, passando-se por adultos, chegando até a marcar encontros com homens muito mais velhos para os quais já mandaram inúmeras fotos. Basta ter um celular ou um tablet e a conexão acontece. Aliás, algo que pode comprometer a vida emocional e sexual desses adolescentes, além de colocá-los em situações de risco. 

  Eles ainda anunciam nos principais portais, mídias sociais e especialmente nos aplicativos mais utilizados pelos jovens, oferecidos pelo Android e IOS. E as mulheres, apesar de toda a liberação sexual, saem perdendo porque se permitem ser tratadas como um objeto digital, exposto em fotos e mensagens instântaneas, que podem ser deletadas a qualquer momento, porque a fila é imensa - e anda rápido, ou seja, na velocidade da própria internet.

  Outra questão interessante é que existem vários sites e blogs, escritos por homens, ensinando os colegas como "beijar uma mulher", como "conversar com ela em mensagens instantâneas", "como se apresentar no primeiro encontro fora do mundo virtual" ou ainda "como se comunicar, via whatsapp, com aquela garota que perdeu o contato". Ou seja, hoje as pessoas precisam aprender pela internet o que antes era instintivo e aprimorado com a prática. Para isso existia o namoro, um verbo que já está sendo conjugado no passado.  

 

 Logo mais volto a este assunto, do qual posso falar com propriedade, porque passei os últimos cinco anos acompanhando uma pesquisa sobre todos os sites de relacionamento nacionais e internacionais, com homens e mulheres, de praticamente todas as idades e nacionalidades.

  Os resultados? Foram surpreendentes.

  E tenho muita história para contar...








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