SUL DOS EUA: NOS GRANDES EMBALOS DO TENNESSEE

16.1.16 Simone Galib 0 Comments

     
 Na série especial sobre o Sul dos Estados Unidos, vou falar hoje sobre o Tennessee, que ficou famoso por ter sido o lar do cantor e ator Elvis Presley. O rei do rock nasceu em Tupelo, no Mississippi, mas viveu, morou e morreu no estado. É também casa da famosa destilaria do whisky Jack Daniels e o berço do country, blues e, claro, do rock´n´roll.

 Além dessa bela trilha sonora, há muita coisa interessante para vivenciar por ali, principalmente se você gosta de lugares com uma natureza exuberante, gente hospitaleira e boa gastronomia, como os churrascos sulistas. 

 Nossa escala foi na charmosa e country Pigeon Forge, uma cidadezinha com cerca de 6 mil habitantes, que parece um cenário de brinquedo, com pouca gente andando pelas ruas e muito silenciosa à noite. Tem um clima de interior, super lúdico, mas é poderosa!
 Ela é a porta de entrada de uma das maiores atrações do estado: o Great Smoky Mountains, parque nacional que recebe 10 milhões de visitantes por ano, e que também faz divisa com a Carolina do Norte. Pigeon Forge fica a apenas 8 km desse parque incrível, patrimônio da Unesco.

  Melhor ainda foi ter ficado em uma casa (de madeira, tipo chalé, com nove quartos), do Eagles Ridge Resort, no meio da floresta, mas com todo conforto, equipada com Wi-Fi, lavanderia, cozinha completa, mesa de bilhar e vários avisos espalhados pelos cômodos: cuidado com os ursos.
    
 Levamos um susto com os quadros de avisos. Afinal, chegamos à noite e teve até gente do grupo com medo de ficar na ampla varanda, para sentir aquele cheiro gostoso de mato orvalhado e olhar as estrelas. Infelizmente, não vi nenhum black bear. Mas, ele é o grande símbolo do parque nacional e da cidade. 


                                                   Fotos Divulgação
 De fato, eles aconselham a ter um pouco de cuidado por ali. Explico melhor. Antigo lar dos índios Cherokee, hoje o parque é habitado pelos ursos negros. E, às vezes, algum pode escapar para os arredores, principalmente se farejar comida.
 Mas não são apenas eles os privilegiados habitantes do Great Smoky Mountains: há milhares de árvores, 1,5 mil tipos de flores e plantas, cerca de 200 espécies de pássaros e 60 mamíferos - sem falar das muitas cachoeiras e riachos. O lugar é lindo!
As nuvens parecem tocar as montanhas            Fotos Simone Galib
Há muitos riachos e cachoeiras no caminho e no interior do parque

  O nome foi dado pelos próprios índios que descreviam as montanhas daquela cordilheira como shaconage, que significa azul como fumaça.
  Tivemos sorte de ir ao parque no início de outubro, quando ainda restavam algumas flores, a vegetação já começava a ganhar as cores do outono e a temperatura estava agradável - porque lá faz muito frio. Neste sábado (dia 16), por exemplo, a mínima prevista é de 8 graus negativos, e neve, claro.
As cores de outono contrastando com o céu esfumaçado
Flores do campo em meio à vegetação
Os tons alaranjados do outono dão lugar ao branco da neve

 Uma estrada bem sinalizada e sinuosa nos leva até alguns de picos do parque, de carro, mas chegar às alturas (o pico mais alto é o Clingsman Dome, com 2.025 metros) exige um certo preparo físico, porque há um trecho que só pode ser feito a pé – e a subida é para os corajosos ou atletas.
   Mas, a busca pela melhor vista a partir da grande montanha esfumaçada vale todo e qualquer esforço. Ainda bem que existem bancos estratégicos no meio do caminho para recuperar o fôlego, porque é puxado.
A trilha que leva ao pico mais alto do parque

 Fiquei impressionada com o número de idosos (alguns até usando bengalas) e outros visitantes em cadeiras de rodas, levados pelos seus familiares, que encaram a trilha. 
 Vale tudo para chegar até o mirante, onde nos sentimos nas nuvens – literalmente. E temos uma vista de 360º das montanhas que podem ou não estar esfumaçadas dependendo do dia, do horário e da estação do ano.
 No verão, o pôr do sol é incrível.
 E se você der sorte, quem sabe não encontra um urso negro no meio do caminho?

CIDADE LÚDICA

   Acho interessante ficar pelo menos de dois a três dias em Pigeon Forge. Parte de um deles você vai passar no parque, onde as pessoas costumam fazer piquenique, lá nas alturas. E nos demais, curtir a cidadezinha, que é super acolhedora e tem suas tradições históricas preservadas.
Skyline de Pigeon Forge clicado da roda gigante


 Uma delas é o Old Mill, moinho construído em 1830 e que funciona até hoje. Junto a ele, há um café-restaurante (ideal para o breakfast) e uma loja, repleta de souvenirs e guloseimas da marca. É um dos mais famosos de lá. Quase ao lado, tem uma fábrica de destilados locais, onde a gente pode fazer degustação e algumas comprinhas.
   
 Em contraponto, a cidade também tem o seu lado playground, com várias atrações, lojas, hotéis, circuito de kart, o Museu Titanic e o WonderWorks (a tal casa de cabeça para baixo), além do tradicional parque de diversões, na praça central, com a roda-gigante.

 Ele está cercado de restaurantes, destilarias e tem um enorme chafariz com cadeiras em volta, onde os moradores sentam para trocar uma ideia, ler um livro ou simplesmente passar o tempo. É uma vida sem grandes atropelos. 


  Se for durante o outono, vai encontrar praças e as fachadas do comércio local cheias de flores do campo, espantalhos e abóboras para tudo quanto é lado. Eles dão boas-vindas à nova estação, reverenciam a boa colheita e simbolizam a prosperidade.

Conteúdo também publicado em Viagens S/A, www.viagenssa.com