JORNAL AMERICANO DEFINE O BRASIL ATUAL EM 6 DIVERTIDAS PALAVRAS

3.8.16 Simone Galib 1 Comments

   

  Chegou a hora dos Jogos Olímpicos. A imprensa internacional já está aqui, observando e falando de tudo, especialmente sobres nossos problemas, que não são poucos. Mas, também não falta humor. Shannon Sims, repórter do jornal The Washington Post, fez um mini dicionário de português sobre o Brasil atual.
  Com o título SIX WORDS THAT TELL YOU EVERYTHING YOU NEED TO KNOW ABOUT BRAZIL (seis palavras que contam tudo o que você precisa saber sobre o Brasil), o correspondente tenta explicar aos americanos o que são petralhas, coxinhas, zoeira etc etc. É de rolar de rir.
 O repórter abre o texto dizendo que geralmente as palavras que os estrangeiros aprendem aqui são obrigado e saudade. “Mas nestes tempos problemáticos a cultura brasileira está mais complicada do que a palavra saudade”. A partir daí, começa a traduzir para o inglês o novo dicionário da “complexa história do Brasil”. Ah... ele também ensina a pronúncia.
Crise (KREE-see)
This one is easy enough to translate into English, but in Brazil, it often refers to the country’s current economic crisis. Following several boom years, the bottom dropped out of Brazil’s economy. The country is in one of the greatest recessions of its history, and signs of the economic crisis are everywhere, from half-finished construction projects to shrinking businesses. The word crise has become Brazilians’ shorthand explanation for why something’s gone wrong over the past year. “We didn’t go on vacation because, you know, the crise.”
“Não é fácil traduzir para o inglês, mas é como o Brasil se refere à atual crise econômica. Depois de vários anos de crescimento, o país enfrenta uma das maiores recessões de sua história, e os sinais estão em toda a parte, desde os projetos de construção inacabados até a queda nos negócios. A palavra crise é usada pelos brasileiros para explicar tudo o que está errado desde o ano passado. “Nós não saímos de férias porque, você sabe, a crise.’  


Gourmetização (gor-MAY-tee-zah-sahw)
"Gourmetização is the act of turning everything, especially foodstuffs, into something more sophisticated (gourmet) and consequently more expensive. Instead of a hot dog that costs 5 Brazilian reais, gourmetização would call for you to add fancy stuff like gorgonzola and shiitake mushrooms on top and sell it for 11 reais. This trend popped up in Brazil over the past three years in parallel with the food truck boom. The trucks had to stand out to compete, which meant not selling French fries, but selling sweet potato crisps with rosemary truffle oil. The irony is that gourmetização has happened in conjunction with the crise, which perhaps stands as a testament to the resiliency of consumer culture in Brazil."
Gourmetização é o jeito de tornar tudo, especialmente comida, em algo mais sofisticado (gourmet) e mais caro. Um hot dog que custa R$ 5, com o acréscimo de gorgonzola e cogumelos, é vendido por R$ 11. Essa tendência surgiu nos últimos três anos na paralela do boom do truckfood. Os carrinhos precisam ganhar destaque, o que significa que não vendem fritas, mas sim fritas de batatas-doce com óleo de trufa de alecrim. A ironia é que esta gourmetização surgiu junto com a crise, o que talvez seja um testamento da resiliência da cultura do consumo no Brasil.
Petralha (pet-RAL-ya)
"The petralha is a negative slang term used by Brazilians who favor the impeachment of President Dilma Rousseff to refer to supporters of her leftist Worker’s Party (called PT – the root of the term) and her party’s patriarch, former president Luiz Inacio Lula da Silva." (A petralha thinks that Rousseff’s recent suspension from office was a coup.) Stereotypical negative images of a petralha include a lazy welfare recipient, a union worker on strike, and a weed-toking, bearded university student majoring in sociology. At protests, petralhas wear red and shout “Fora Temer!” (“Out, Temer!”), referring to interim President Michel Temer, who stepped into Rousseff's job.
                                                                                                                             
   Petralha é um termo de baixo calão usado pelos brasileiros a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, referindo-se aos que apoiam o partido dela (chamado PT, a raiz do termo) e ao seu patriarca de partido, o presidente Luiz Inacio Lula da Silva (o petralha acha que a suspensão de Dilma foi um golpe). Imagens negativas estereotipadas de um petralha incluem a união de um trabalhador em greve, uma erva-daninha, com um universitário barbudo, a maioria estudante de sociologia. Nos protestos os petralhas usam vermelho e gritam fora Temer, referindo-se ao presidente interino Michel Temer, que entrou no lugar de Dilma.

(Aqui ele acertou em parte. Não sei se por falta de conhecimento ou para ser politicamente correto, o repórter não explicou que a inspiração do nome petralhas foi em cima dos Irmãos Metralhas, personagens ladrões das histórias em quadrinhos)

 Coxinha (koh-SHEEN-ya)
"Coxinha has one meaning which is Brazil’s most famous street snack. Another is the opposite of the petralha, and what Rousseff’s supporters call someone who was in favor of her impeachment and supports centrist-right politicians, like Temer. The stereotypical negative image of a coxinha is a rich, bourgeois playboy, wearing a pastel polo shirt and popped collar, topped by Ray-Bans bought in Miami, and sporting a big watch that his dad gave him for Christmas. At protests, coxinhas sing the national anthem, wave the Brazilian flag, and wear yellow and green."

 
Coxinha é um dos mais famosos salgados de rua do Brasil. Mas são assim chamados pelos petralhas os defensores dos políticos de centro-direita, como Temer. O coxinha é rico, um playboy usando uma camiseta polo pastel, com o colarinho coberto por um Ray Ban comprado em Miami e ostentando um grande relógio que ganhou do pai no Natal. Nos protestos, os coxinhas cantam o Hino Nacional, com a bandeira brasileira, e vestem verde e amarelo.

Jeitinho (zhay-CHEEN-yo)
 "The jeitinho is the street-smart ability to wriggle out of difficult situations. For many, this is a part of daily survival in Brazil. it’s the MacGyvering out of a jam, and the winking of your way into beneficial situations. But there is a bit of a negative connotation to the jeitinho as well, as it is often used as shorthand for corruption. “He must have used a jeitinho to win that big contract for his company.” It’s the normalization of this jeitinho in Brazil that some experts believe is at the heart of Brazil’s economic and political crisis.
 O jeitinho é a habilidade de sair fora de situações difíceis. Para muitos, isto é parte do cotidianono Brasil, uma forma de tirar vantagens das situações. Mas há também uma conotação negativa do jeitinho; é frequentemente associado à corrupção. Alguns especialistas acreditam que este jeitinho está no coração da crise econômica e política do Brasil."
Zoeira (zoh-AIR-ah)
"Technically, zoeira means a cacophony, or an instance in which someone is kidding with you. In modern parlance, it refers to the act of joking around, even when things are bad. This comes up mostly when bad news breaks and Brazilians quickly make a million funny Internet memes about it. There is a saying in Brazil: “The zoeira never ends,” that is, Brazilians never quit joking. In its essence, the word zoeira captures the Brazilian cultural skill of making light of a bad situation.
 Tecnicamente, zoeira significa uma cacofonia ou aquele momento em que alguém está brincando com você. Na linguagem moderna, se refere ao ato de brincar, especialmente quando as coisas estão ruins. 
 Quando surgem más notícias os brasileiros rapidamente fazem milhares de memes divertidos na internet sobre elas. ‘A zoeira nunca termina’, é isto. Eles não deixam de brincar. Na essência, a palavra zoeira é habilidade cultural brasileira de iluminar uma situação ruim."
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