PETRA: A CIDADE DOS MISTÉRIOS, MUITOS AINDA NÃO REVELADOS

8.10.16 Simone Galib 0 Comments

 Há lugares no mundo que nos fazem sentir emoções únicas, remetendo-nos a um tempo distante, cujas histórias não estão registradas nos livros.Petra, no sul da Jordânia, é um deles.

 Não por acaso é considerada um dos principais tesouros do país, patrimônio da humanidade pela Unesco desde 1985 e foi eleita uma das novas sete maravilhas do mundo.


Chamada de a cidade rosa ou cidade perdida, Petra (pedra, em grego) tem sido “reencontrada”, dia pós dia, por milhares de turistas do mundo inteiro.

  A grande maioria se limita ao parque arqueológico - de fato, um lugar incrível e que precisa ser conhecido - ou a Wadi Musa, o distrito onde estão as lojinhas, bares, restaurantes e casas de câmbio.


  Porém, há muito mais na região para ser explorado, ou melhor dizendo, profundamente vivenciado. Porque, acredito, suas grandes histórias milenares podem ser resgatadas por aqueles que buscam um pouco mais de conhecimento.

 Já visitei Petra duas vezes. Na primeira, fazendo o roteiro básico, tipo bate e volta. Mas a segunda... esta, sim, me fez mergulhar na verdadeira história, encontrando parte de suas raízes. 

 Descobri, por exemplo, que aquela região, nos arredores de Petra, abrigou as antigas cidades de Sodoma e Gomorra, algo que os guias locais não costumam contar aos turistas.   

   
  Gosto desses roteiros porque eles não são nada planejados, muito menos burocráticos, e, portanto, bem diferentes daqueles que costumo fazer a trabalho. 

 Quando saio de férias, tudo acontece em outra perspectiva. O máximo é escolher um hotel e reservá-lo pela internet para ter o mínimo de estrutura e segurança. A partir daí, vamos seguindo o fluxo. É exatamente esta a magia da viagem.



Quando saímos do Brasil, rumo a Amã, a capital da Jordânia, eu e minha amiga Patricia Lima não planejamos nada. Apenas seguimos o fluxo. Mas, um guia local se encarregou de traçar o roteiro.

 Ele nos pegou cedo no hotel, avisando que o dia seria longo - eram três horas e meia de carro -, mas que iríamos adorar as escalas. E lá fomos nós, cruzando as estradas da Jordânia, sob um dia ensolarado e quente de setembro.


  Primeira parada: um resort à beira do Mar Morto para um banho revigorante e algumas pegadas nas areias terapêuticas, onde as pessoas costumam fazer vários tratamentos. Estava muito quente, embora fosse outono.


Era a primeira vez que eu tomava sol em uma praia muçulmana. E não sabia exatamente o que usar: optei por uma bermuda de ginástica e um top.

 As mulheres ficam totalmente cobertas, mesmo em trajes de banho, que lembram aquelas roupas de mergulho: são macacões inteiriços que vão até o meio da canela, hoje batizados de burkini. A população do país é formada por 92% de muçulmanos sunitas. 

 Mergulhar foi realmente um presente dos deuses. As águas salgadas, calmas e deliciosamente mornas nos traziam uma deliciosa sensação de bem-estar. Em frente a nós, montanhas a perder de vista, delimitando a fronteira com a Palestina.

  Difícil mesmo foi manter o equilíbrio dentro da água porque o sal nos empurrava para cima e sentíamos o corpo leve, feito uma pluma. Naquele momento, o Mar Morto representava a mais pura vida... Saímos de lá revigoradas.

 Na sequência, um almoço com cardápio típico do Oriente no resort à beira-mar, que incluía quibe, tabule, pastas de grão-de-bico, berinjela, esfihas e arroz marroquino, tudo regado a suco de romã. 

 
Depois de uns 15 minutos, o guia estacionou o carro à beira da estrada e nos disse: “Olhem para aquela pedra, uma rocha esculpida em formato de mulher, a única no alto da montanha. Aqui foram as antigas Sodoma e Gomorra.”

 Era inacreditável que estávamos pisando nas terras das duas cidades bíblicas, varridas do mapa como um castigo dos céus.

  E a imagem daquela rocha, de fato, se assemelhava à da mulher de Ló, que desobedeceu ao conselho de não olhar   para a destruição da cidade. Ela virou estátua de sal, conforme narra a Bíblia, no Antigo Testamento. 


 As planícies do Mar Morto foram palcos de muitos dramas e lá estávamos nós duas revisitando esses cenários, entre vales e esculturas naturais de pedras!


 Com tanta história, que foi vivida intensamente nessa região ancestral, como Petra pode ser chamada de "cidade perdida"? Por que ela acabou esquecida pelo mundo contemporâneo por tanto tempo? Afinal, foi um local muito importante na antiguidade.

  Batizada de a “cidade rosa”, foi fundada por volta de 312 a.C. pelos nabateus, uma tribo nômade árabe. A cidade, então, se transformou em um ponto estratégico das rotas de caravanas, que transportavam incenso, mirra e especiarias pelo Oriente Médio. Acabou oculta e somente os beduínos locais conheciam sua localização.

  Dizem ainda que Petra foi a última parada dos três reis magos que levaram incenso, ouro e mirra para o Menino Jesus, em BelémUm dos magos teria sido um rei nebateu.


  Na época de Jesus Cristo e seus apóstolos, abrigou um dos maiores centros de comércio do Mediterrâneo oriental, sendo rota da seda e de especiarias, que unia a China, a Índia e a Arábia do Sul ao Egito, Síria, Grécia e Roma.

 Durante o Êxodo, Moisés e os israelitas passaram pela região de Petra, em Edom. A tradição local diz ainda que a nascente em Wadi Musa (Vale de Moisés), à saída de Petra, foi o local onde o profeta bateu na rocha e fez surgir água.

  Aarão, irmão de Moisés e Miriam, e o primeiro sumo sacerdote da Bíblia, morreu na Jordânia e foi enterrado em Petra, no Monte Hor, hoje chamado Jabal Harun (em árabe, Monte Aarão).

 No cume da montanha, foram construídos uma igreja bizantina e depois um templo/túmulo islâmico de Aarão e que hoje atrai peregrinos de todo o mundo. Depois do século 14 d.C., Petra ficou oculta para o Ocidente.
 

   Assim, hoje podemos pisar em um dos locais que se incluem nos roteiros sagrados do mundo.  Depois de atravessar um extenso vale, chegamos em Petra e nos hospedamos no hotel Petra Moon, a apenas 100 metros do portão principal do parque.

  Nossas roupas, que secaram pelo caminho, eram puro sal. Começava a escurecer e da janela da suíte, a lua cheia despontava por trás das montanhas. A vista não podia ser melhor!  

PARQUE ARQUEOLÓGICO


Sugiro reservar no mínimo três dias para entrar no clima da cidade de pedra, cujo parque arqueológico tem 5,2 km², repletos de cavernas, passagens estreitas e ruínas de templos antigos.

  A entrada é feita por um caminho com mais de 1 km, ladeado por paredões de rocha com até 80 metros de altura. São as ruínas da civilização Quem não quiser caminhar, pode alugar cavalos ou carruagens.

  No final dessa trilha, o ápice: surge o Al-Khazneh (Tesouro), que foi esculpido na própria rocha no início do século 1 para ser o túmulo de um importante rei nabateu. Não podemos entrar, mas percebemos que ali foi um local de culto.


O lugar virou cenário do filme “Indiana Jones e o Templo Perdido” e hoje, é um dos prediletos dos turistas que o registram de todos os ângulos possíveis.

 Uma vez por semana, o parque é aberto para visitas noturnas. Como não há iluminação pública, a cidade de pedra é iluminada por centenas de velas. Cenário muito lúdico!


FONTE SAGRADA



 A noite em Petra é mansa. A uns 15 minutos de carro do parque, fica o centro, com seus restaurantes típicos, lojas, ruas estreitas e algumas ladeiras íngremes.


 Fomos até a famosa fonte, no alto da montanha, que no inverno tem água quente e no verão, fria, por uma simples obra da natureza. Lá de cima, a vista de Petra é deslumbrante.
  


O nosso motorista de táxi, fazendo o papel de guia, resolveu nos levar a outra montanha, não frequentada pelos turistas. E o programa ficou ainda mais divertido: um grupo de rapazes fazia um churrasco solitário, bem no topo.

 Aliás, esse é um costume dos jovens locais. Eles se reúnem no alto das montanhas para acender fogueiras, comer carne de carneiro e fumar narguilé. E interagimos com esse inusitado círculo, por alguns momentos.

Nossa noite terminou com um belo jantar, regado a vinho, pratos típicos e o coração alegre. Ao nos despedimos de Petra, a certeza era de que havíamos feito uma das melhores viagens –e olha que não foram poucas- dos últimos tempos. E seguimos para o deserto de Wadi Rum.

 As novas aventuras? Ficam para o próximo post.  

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