POR QUE OS BRASILEIROS TÊM MOTIVOS REAIS PARA TEMER A VACINA CHINESA? CONHEÇAM OS BASTIDORES!

19.10.20 Simone Galib 0 Comments


      Como se não bastassem todos os transtornos e mortes provocados pela pandemia de coronavírus, agora os paulistas são ameaçados pelo governador João Dória a serem obrigados a tomar uma vacina sem comprovação científica, produzida a toque de caixa pela China, cuja reputação nesse segmento é mais que duvidosa.

 Ocorre que os planos de Dória não são os mesmos do governo federal. O Ministério da Saúde já havia fechado acordo para distribuir nacionalmente a vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, quando foi "atropelado" pelo anúncio de São Paulo.

 O acordo prevê a distribuição das primeiras 15 milhões de doses (de um total de 210 milhões) em janeiro de 2021.

 A segunda aposta é a aliança global Covax Facility, que permite ao Brasil ter acesso a uma das nove vacinas em desenvolvimento atualmente. O Coronavac chinês não consta dessa relação.

 O presidente Jair Bolsonaro disse que ninguém é obrigado a ser imunizado, caso não queira, como manda a legislação.


"Meu ministro da Saúde já disse que ninguém é obrigado a tomar esta vacina e ponto final", afirmou Bolsonaro nesta segunda-feira.

 Enquanto isso, João Dória deu um ultimato até quarta-feira (21) para o governo decidir se vai colocar ou não a coronavac no calendário de vacinação nacional. 

 Por que ele não fez acordo com o governo brasileiro, ao qual está subordinado, antes de fechar com Pequim?

BASTIDORES DO MEDO
  Segundo uma reportagem recente do The New York Times, os líderes chineses capacitaram uma indústria de vacinas que há muito tempo está envolvida em problemas e escândalos de qualidade. Há dois anos, pais chineses entraram em pânico ao descobrirem que vacinas ineficazes foram aplicadas em seus filhos, principalmente em bebês.

  O jornal diz ainda que "as empresas de vacinas chinesas estão acostumadas a um sistema político fechado, que têm um histórico de encobrir escândalos de segurança e os protege da concorrência estrangeira. Poucos investem pesadamente em pesquisas e desenvolvimento e não descobriram muitos produtos com impacto global."
  Além disso, muitos investem mais em vendas e distribuição, grande parte das quais inclui o gerenciamento de relacionamentos com os centros locais de controle de doenças, como estão fazendo no Brasil. Especialistas dizem que esse fator cria incentivos para a corrupção.


FALTA DE CONFIANÇA
Embora a China ambicione ser o primeiro país a encontrar a vacina para a covid-19 - há quatro indústrias farmacêuticas incentivadas pelo governo -, é preciso primeiramente conquistar a confiança do seu próprio povo.


"Os chineses agora não têm confiança nas vacinas produzidas no país e essa provavelmente será a maior dor de cabeça", disse Ray Yip, ex-chefe da Fundação Gates na China, ao New York Times.

O Sinovac Biotech é um dos quatro laboratórios chineses autorizados pelo governo chinês a fazer testes clínicos. Em 2009, foi o primeiro no mundo a encontrar uma vacina para a gripe suína H1N1. Tem hoje uma equipe de mil funcionários.

Em seu laboratório, já foram feitas as fases 1 e 2 dos testes para a covid-19. Eles têm a missão de verificar se a vacina, batizada de Coronavac, é perigosa para os humanos.

Estava faltando a fase 3, que avalia a capacidade do imunizante atuar na prevenção da doença, mas precisa ser realizada em portadores do vírus, o que envolve milhares de pessoas.

 O próprio laboratório sabia estar diante de uma missão quase impossível, não só pela falta de credibilidade e de transparência, mas também pelo volume de testes necessários em humanos para concluir os estudos.

"Não é fácil obter esse número em nenhum país", disse recentemente Meng Wining, diretor de relações internacionais do Sinovac, à AFP.

 Eles estavam negociando fazer os estudos com a Europa e a Ásia. Mas, aí entrou o estado de São Paulo, envolvendo o conceituado Instituto Butantan que empresta sua credibilidade para produzir a vacina em conjunto com o laboratório chinês.


A parceria, segundo o governo estadual contaria com investimentos de R$ 90 milhões, turbinados pelas ambições políticas e interesses comerciais do governo Dória.

Mesmo sem a conclusão da eficácia da vacina, o Sinovac já construiu uma fábrica no sul de Pequim, com capacidade para a produção de 100 milhões de doses por ano. Deve entrar em operação no final de 2020. A vacina está em fase experimental na China, país onde começou o surto da covid-19.

Aqui no Brasil, também há o projeto da construção de uma nova unidade do Instituto Butantan para a produção da vacina, avaliada em R$ 160 milhões.


Como o governo federal não liberou os recursos para financiar, Dória diz ter arrecadado R$ 130 milhões da "iniciativa privada", sem especificar os autores das doações.

Quem está bancando um projeto milionário sem a certeza de que será aprovado pelas autoridades sanitárias do país?

 Quando anunciou no final da semana passada, que tomaria medidas legais para tornar obrigatória a vacina, o governador provocou a ira de boa parte dos paulistas e dos brasileiros em geral.

 Já foi marcada uma manifestação contra essa medida arbitrária, não prevista na Constituição, no dia 1º de novembro (a 14 dias das eleições municipais) contra a decisão do governador, na avenida Paulista.

O governador disse ainda que vai a Brasília quarta-feira (21) para convencer o Ministério da Saúde e a Anvisa a aprovarem a vacina. Vários médicos e cientistas já se manifestaram contrários à medida.

 A guerra política está criada e, o mais triste, é que envolve a saúde de milhares de brasileiros.

 Mas, durante a pandemia, muitos dos nossos políticos provaram que, além de quebrar o país, eles são capazes de matar a população em nome de seus interesses. E desviaram milhões das verbas destinadas ao combate à pandemia.

  Este jogo é cruel, mas o Brasil não pode se submeter à tirania. Além disso, médicos renomados e cientistas dizem que uma vacina exige no mínimo cinco anos para que tenha comprovada sua eficácia.

 
  Ninguém é contra vacinas, mas temos ainda o livre arbítrio para decidir sobre o que queremos para nosso bem-estar. Sem falar que nenhum país democrático do mundo está sofrendo esse tipo de pressão. 

 Está mais do que na hora de o Ministério Público Federal investigar o que, de fato, acontece nas políticas de saúde pública de São Paulo. E o governo federal se posicionar firmemente sobre essa pressão insana sobre a população.


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